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sexta-feira, 8 de abril de 2011

A mídia e os atentados de 11 de Setembro [ Relatório Documentário Fahrenheit 11 de Setembro]

Olá,

Este texto foi escrito após uma aula de Comunicação e Realidade Brasileira, onde discutíamos o papel da mídia no evento dos Ataques Terroristas de 11 de Setembro.

É preciso deixar claro que este texto refere-se ao meu olhar a respeito do mencionado fato. 

Aproveite :)


A mídia e os atentados de 11 de Setembro

O documentário Fahrenheit 11 de Setembro critica o governo Bush, ao revelar dados , anteriormente obscurecidos, sobre os atentados de 11 de setembro. Todo desenrolar da história se inicia com a revelação de fraudes que levaram George W. Bush ao poder. A forma na qual o presidente se elegeu demonstrava uma  pequena prévia do que seria o seu governo.

Com a popularidade em baixa entre os norte americanos, uma imagem de descompromisso se vinculava ao presidente, que preferiu sair de férias a maior parte do tempo, durante seus nove primeiros meses de mandato.

Porém um fato seria decisivo para que o seu prestigio viesse ocupar o imaginário popular estadunidense . Os ataques terroristas de 11 de setembro, reinventaram a figura de Bush , o transformando no presidente que combateu a favor da paz: “guerra contra o terror”.

Além de o documentário expor as relações comerciais entre os EUA e Osama Bin Laden, onde os atentados de 11 de setembro se tornaram fator importante para o fortalecimento indústria bélica, se desmistificou toda a questão da guerra contra o Iraque.

É neste ponto onde se torna claro a postura da mídia, como aliada ao governo Bush, reprodutora de um discurso determinante para o medo e tensão da sociedade norte americana.

Desde o início a presença massiva da mídia, gerou uma espécie de justificativa à guerra do Iraque, ao reforçar a ideia dos atentados de 11 de setembro como o maior atentado de todos os tempos. Posteriormente esta mesma mídia deu suporte a um discurso inflamado, que deu ao presidente Bush, um ar de mártir, líder preocupado com a segurança de sua nação.

Vale lembrar também de toda campanha publicitária criada em torno do alistamento militar, transformando a convocação pra guerra em algo honroso, além de possibilitar a melhora de vida, e um futuro promissor.

Portanto, diante de alguns fatos demonstrados no referido documentário, se pode observar a intima relação entre mídia e política. Pois em nenhum momento a mídia tradicional se opôs ao discurso produzido pelo presidente e seus partidários. Pelo contrário, ao passo que a guerra seguia, emissoras de tevê e jornais impressos endossavam a esfera de medo, a defesa do EUA, enfim, a “guerra contra o terror”.

Ao trazer esta análise para o âmbito acadêmico, surgi o questionamento que se faz constante nos estudos em comunicação. Até que ponto a mídia é capaz de criar a realidade? Tendo em vista a apropriação de fatos reais, neste caso, os ataques terroristas, a mídia se torna principal veículo de divulgação, conseqüentemente consolidação de um ideal vindo, infelizmente, daqueles que detém o poder.

Sendo assim, os ataques dos 11 de setembro não alcançariam a dimensão que recebeu. Este episódio não geraria tantos estereótipos, como por exemplo, o do mulçumano terrorista, muito menos causaria tantas mortes inocentes, por conta de uma realidade ficcionada, amplamente anunciada. 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Como se forma a opinião pública?

Olá, Leitores!

Segue um texto a respeito de Opinião Pública. Este texto foi embasado em uma série de discussões durante a Disciplina de Comunicação e Realidade Brasileira. 

Aproveite !


Como se forma a opinião pública?

Desde a Grécia antiga existe uma ideia ao que diz respeito à opinião pública. Uma multidão de cidadãos reunidos em torno de um orador, na chamada Ágora, decidia questões importantes para o convívio social. Podemos ainda identificar o conceito de opinião pública nos movimentos libertários do século XVIII, quando uma mobilização social transformou a forma de poder público, com o fim da monarquia. Porém, com o surgimento da sociedade em massas, a formação da opinião pública tornou-se questão polêmica, pois neste momento a presença da mídia se torna grande alvo de críticas.
Obviamente os meios de comunicação de massa modificaram a relação que a sociedade possui com o mundo. Na velocidade em que as informações circulam, quase todo tipo de assunto se faz presente em discussões cotidianas.  Mas a grande interrogação quando se observa a relação mídia – opinião pública, é se realmente os medias têm formado a opinião pública.
A opinião pública nasce de uma relação dialógica entre os cidadãos e os acontecimentos que os cercam. A partir de interações simbólicas entre a sociedade e os vários aspectos da mesma, se tem a opinião pública.  Não somente a mídia, mas outros fatores , como a cultura, influenciam na formação de opinião entre a sociedade.
É preciso observar a mídia como um sistema inserido na própria sociedade, e não como algo externo a ela, acima do bem e do mal. A cultura midiática se origina de traços da realidade concreta, criando estereótipos ao resumir situações, tendo em vista apenas algumas características. Esses estereótipos por sua vez dão origem a comportamentos observados no seio da sociedade. Este ciclo caracteriza o funcionamento da mídia, e por esta razão a própria não pode ser considerada como ditadora, muito menos, como formadora da opinião pública.
Enfim, a mídia, a economia, a política, a cultura como um todo, são elementos extremamente relevantes para o processo de decodificação de mensagens que faz parte da formação da opinião pública.


terça-feira, 22 de março de 2011

Tudo que é iluminado obscurece [ Resumo ]

Leitores, este post refere-se ao resumo do primeiro capítulo do livro " A Saga dos Cães Perdidos". Este capítulo refere-se as três fases que o Jornalismo experenciou ao longo do seu desenvolvimento. 


MARCONDES FILHO, Ciro. A saga dos cães perdidos. São Paulo, Hacker, 2000. 


Cap.1: Tudo que é iluminado obscurece 



Este texto tem o objetivo de detalhar as três fases vivenciadas pelo Jornalismo ao longo de sua trajetória histórica.
 
Traçando um paralelo entre marcos históricos e o Jornalismo, o autor considera o fazer jornalístico como uma conquista da “ ... modernidade dos direitos sociais e humanos ...” p 17.

Sendo assim, o Jornalismo seria a expressão do espírito da modernidade. Ao passo que se via o nascimento da burguesia e a vitórias das democracias , o Jornalismo se encontrava na missão de publicizar informações a respeito das autoridades, criticando e iluminando o povo, que até então estava subordinado ao poder dos monarcas, da Igreja e Universidade. Desta forma, seria importante dizer que o Jornalismo refletia a atmosfera presente nos novos tempos, ensejando lutar contra o espectro do domínio político.

O Segredo Desvelado
O surgimento do Jornalismo está vinculado diretamente a Revolução Francesa e aos desdobramentos ocasionados por ela.

Podemos considerar a luta pelos direitos humanos, preconizada pela Revolução Francesa, a força impulsionadora do Jornalismo, pois a queda do sistema absolutista e o fim das monarquias possibilitaram o desvendar de fatos e acontecimentos, anteriormente escondidos.

A desconstrução do poder da Igreja e da Universidade foram também fatores decisivos para o aparecimento do Jornalismo. A invenção dos tipos móveis colocou em cheque o poder constituído da Igreja e Universidade, gerando uma descentralização desses poderes simbólicos.  “As primeiras publicações começaram a multiplicar o número daqueles a quem era dado conhecer os textos reservados, secretos ou sagrados.” p 18

 E ainda temos a Revolução Protestante , ruindo as bases religiosas , colocando em crise o poder estatal.
Portanto, todas essas transformações ocorridas na sociedade da época proporcionaram uma conquista à informação. O monopólio do saber não estava mais nas mãos do monarca, da Igreja e da Universidade. Agora o conhecimento estava destinado a circular livremente, e o jornalista é o agente responsável descobrir e levar essas informações interessantes a toda sociedade.

“E são os jornalistas que irão abastecer esse mercado; sua atividade será a de procurar, explorar, escavar, vasculhar, virar tudo de pernas para o ar, até mesmo profanar, no interesse da notícia.” p 18
Importante lembrar: é neste contexto que surge o mito da transparência, ideologicamente oriundo do Iluminismo.

O Financiamento pela falência
A primeira fase do Jornalismo foi marcada pelo desejo da “iluminação” . O esclarecimento político e ideológico guiava os recentes jornalistas no seu fazer diário.  Após o desmoronamento de um paradigma de controle, por parte de autoridades políticas, a aspiração que move o Jornalismo é expor, divulgar, nada poderia estar encoberto a partir de agora.

Algo que caracteriza esse momento é a ebulição do jornalismo político- literário. Jornais potencializavam idéias, programas políticos partidários, suas páginas serviam de suporte a revolucionários.
 
Nesta época também, o Jornalismo começou a se profissionalizar. É importante ressaltar a evolução do Jornalismo, que deixa de ser instrumento e passa ter força própria e autônoma.

Fins pedagógicos delineavam estes primeiros jornais, que se interessavam pela formação política da sociedade em detrimento de interesses econômicos . Enfim, esta pode ser considerada característica principal desta etapa do Jornalismo, iniciada por volta de 1789, durando até a metade do século 19.

O gato dos padrões
Os tempos começam a mudar. Podemos observar nesta fase do Jornalismo a influência da sociedade burguesa em desenvolvimento.

Enquanto sentimentos de nacionalismo e socialismo impulsionam os jornais populares, através de campanhas operárias , os donos das empresas jornalísticas começam a agir guiados pela lógica mercantil.
Observamos a partir deste momento as modificações sofridas pelo Jornalismo.

“A atividade que se iniciara com as discussões políticos – literárias aquecidas, emocionais, relativamente anárquicas, começava agora a se construir como grande empresa capitalista: todo o romantismo da primeira fase será substituído por uma máquina de produção de notícias e de lucros como os jornais populares e sensacionalistas.” p 20

E a partir de inovações tecnológicas nos processos de produção do jornal, a empresa jornalística teve que aumentar sua capacidade de autossustentação, começando a investir em publicidades e notícias que agradassem a maior parte do público. Desde então era preciso vender muito para se manter no mercado. Vemos então, o fim de uma era romântica do Jornalismo, o valor pedagógico dá espaço a uma imprensa ligada aos valores mercadológicos.

A imprensa como negócio teve seu surgimento por volta de 1875, na França, Estados Unidos, e Inglaterra. Essa transformação inverteu o valor das notícias, pois agora os espaços destinados a propagandas ganham força e passam a ser prioridade.

“... como se verá até o final do século 20 – é a fazer do jornalismo progressivamente um amontoado de comunicações publicitárias permeado de notícias.” p 21

Enfim, o segundo Jornalismo se caracteriza pelo fim da liberdade política e interesses pedagógicos pela invasão dos fins econômicos .

Informação forte, época fraca
Passemos ao terceiro jornalismo. Nesta fase o autor coloca o Jornalismo em dúvida diante de um pessimismo em relação à continuidade de um movimento que se fez característico da modernidade. Segundo o autor, os tempos mudaram , e entramos em um momento niilista. Seria o fim da modernidade, em face de uma nova era.

Ainda podemos considerar guerras, governos totalitários como fatores que enfraquecem o Jornalismo. Mas o fator mais relevante seria o desenvolvimento da indústria publicitária e das relações públicas que entrariam em disputa com o Jornalismo até descaracterizá
-lo de vez.

Sendo assim, temos como terceiro Jornalismo a crise da profissão, a dúvida de que este movimento possa resistir ás mudanças atuais. 

Por que noticias são como são? Construindo uma teoria da notícia [ Resumo]


Olá, 

Segue um post a respeito de uma teoria da notícia desenvolvida por Jorge Pedro Sousa. 

Quem é Jorge Pedro Sousa?
Nascido em 1967, é professor e pesquisador de jornalismo na Universidade Fernando Pessoa (Porto, Portugal). As suas linhas de pesquisa englobam a teoria e história do jornalismo e a análise do discurso jornalístico impresso. Tem vários livros publicados, sendo o mais conhecido Uma História Crítica do Fotojornalismo Ocidental. O seu livro mais recente (2007) intitula-se A Génese do Jornalismo Lusófono e as Relações de Manuel Severim de Faria. A sua ideia mais notória é a de que toda a notícia, ou seja, todo o enunciado jornalístico é um dispositivo que resulta da interacção de várias forças, ou factores, cada um deles com peso variável no resultado final: 1) Acção pessoal de jornalistasfontes de informação e outros agentes; 2) Rotinas produtivas; 3) Constrangimentos sociais organizacionais, como a hierarquia e o funcionamento da organização jornalística, a linha editorial, os recursos organizacionais e outros; 4) Constrangimentos sociais extra-organizacionais, como omercado; 5) Ideologia(s) e cultura; 6) História; e 7) Outras forças, como os limites e possibilidades dos dispositivos tecnológicos usados na elaboração da notícia. Abstractamente, essa ideia pode traduzir-se numa equação em que a notícia surge como o resultado (produto) da multiplicação (interacção) de vários factores, cada um deles antecedido por uma variável que traduz, precisamente, o peso variável de cada um desses factores no resultado "notícia".
                                                                                                                   Fonte: Wikipédia 

Resumo do Artigo: Por que noticias são como são? Construindo uma teoria da notícia de Jorge Pedro Sousa

O presente artigo tem como objetivo revelar o surgimento de uma nova teoria da notícia, fundamentando-se em outras teorias existentes, mas trazendo à tona aspectos esquecidos por tais teorias .

Sousa parte do princípio de que a notícia refere-se a toda produção jornalística, e que já existe matéria prima o suficiente para se edificar uma teoria consistente da notícia. Desta forma, o referido texto se propõe a responder  três perguntas: “Por que é que as notícias são como são (e não são de outra maneira)?” “Por que temos as notícias que temos (e não temos outras notícias)?” “Como circula a notícia e que efeitos gera?”.
Partindo das discussões a respeito da cientificidade da área das Ciências Sociais, Sousa compreende que para as ciências da comunicação se tornar de fato ciência, devem abandonar a reflexão filosófica enquanto metodologia, e adotar uma postura eminentemente científica.

Para ele uma teoria científica do jornalismo deve procurar integrar diversos aspectos do fenômeno jornalístico, enfatizando o resultado do processo de produção da notícia. Contudo, uma teoria do jornalismo , como qualquer outra teoria científica , estaria aberta a intervenções assim que algum fenômeno não previsto por ela a contradissesse.

Reforçando o seu ponto de vista, o autor retoma a ideia de que uma teoria do jornalismo deve ser vista essencialmente como uma teoria da notícia, já que a notícia é o resultado pretendido do processo jornalístico de produção de informação. Sendo assim, ele expõe a sua definição de notícia para que a compreensão do que havia sido dito anteriormente seja a mais clara possível.

Notícia: “artefato lingüístico, que representa determinados aspectos da realidade, resulta de um processo de construção onde interagem fatores de natureza pessoal, social, ideológica, histórica e do meio físico e tecnológico, é difundida por meios jornalísticos e comporta informações com sentido compreensível num determinado momento histórico e num determinado meio sócio-cultural, embora a atribuição última de sentido dependa do consumidor da notícia.” (Sousa , 2000;2002)

Diante do conceito de notícia desenvolvido por Sousa torna-se evidente a sua preocupação com os diversos fatores envolvidos na produção noticiosa, sem contar a relevância dada por ele, a todos estes fatores.

Outra observação interessante seria o fato de Sousa fundamentar-se no pressuposto de que a notícia é a representação da realidade, a partir da captação da realidade objetiva expressa através da linguagem.

Deste modo, a sua teoria da notícia apropria-se destes valores, e avança em uma nova perspectiva para se construir uma teoria que abarque a multiplicidade de aspectos envolvidos na produção, circulação e consumo da notícia.

Sousa se utiliza das teorias divisionistas e unionistas da notícia, se aproveitando dos pontos de interseção entre elas para elaborar uma explicação completa a respeito da notícia. Considerando as várias correntes da tendência divisionista, a saber: teoria do espelho, teoria da ação pessoal, teoria organizacional, teoria da ação política, teoria estruturalista, teoria construcionista, teoria interacionista, Sousa considera possível tecer uma teia explicativa global para as notícias, e pontua : é uma questão de sistematizar esses dados.

Paralela a esta consideração, Sousa aborda os pontos fundamentais desenvolvidos por autores pertencentes à tendência unionista para a explicação da notícia. Entre eles estão Schudson e Shoemaker e Reese.

Para arrematar a sua consideração, tendo em vista a interação entre às tendências divisionistas e tendências unionistas, Sousa se expressa através da Traquina ( 2001; 2002) : “é possível perceber que numa coisa os estudiosos do jornalismo estão de acordo: os resultados das pesquisas colocam em evidência que factores de natureza pessoal, social (organizacional e extraorganizacional), ideológica e cultural informam e constrangem as notícias. Uma teoria unificada do jornalismo tem de partir desses pratimónio comum de conhecimento.”

Partindo de aportes teóricos desenvolvidos por outros autores, principalmente Shoemaker e Reese (1991; 1996) e Scudson ( 1998), Sousa propõe uma teoria unificada da notícia que ultrapasse as deficiências identificadas em tais modelos.

Sendo assim, para Sousa, a notícia é o resultado da interação simultaneamente histórica e presente de forças de matriz pessoal, social (organizacional e extra – organizacional), ideológica, cultural, e do meio físico e dos dispositivos tecnológicos, tendo efeitos cognitivos e comportamentais sobre as pessoas, o que por sua vez produz efeitos de mudança ou permanência e de formação de referências sobre as sociedades , as culturas e as civilizações

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Narrador – Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov [ Resenha]

Olá,
Esta é uma resenha do ensaio de Walter Benjamin a respeito da obra de Nikolai Leskov. Benjamin, pertencente à escola de Frankfurt, teorizou a respeito da Comunicação Social, e nos deixou grandes questões para pensarmos o Jornalismo atual. 

Até a próxima,


O Narrador – Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov

Walter Benjamin inicia o referido texto ao afirmar a extinção da narrativa. 
“É a experiência de que a arte de narrar está em vias de extinção.” p 197.
Ao longo do discurso o autor elenca dois fatores fundamentais para que esta extinção se torne cada vez mais latente: O Romance e a Informação. 

Novamente observamos a visão pessimista de Benjamim ao se referir à tecnologia dos meios de comunicação. Ao relembramos o seu famoso texto “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, observamos o quanto Benjamin se opõe a técnica.  Técnica esta, que é grande responsável pela produção e divulgação de informações, antes destinadas somente a uma parcela da sociedade.

Benjamin ao comparar a narrativa ao ato de dar conselhos conclui que o lado épico da verdade está em extinção devido à evolução das forças produtivas.

“Na realidade, esse processo, que expulsa gradualmente a narrativa da esfera do discurso vivo e ao mesmo tempo dá uma nova beleza ao que está desaparecendo, tem se devolvido concomitantemente com toda evolução secular das forças produtivas”. p 201
Portanto é possível perceber claramente a posição de Benjamim no que diz respeito à recém surgida imprensa. Ao estabelecer o aparecimento do livro como um dos fatores essenciais para morte da narrativa subtende-se a crítica do autor direcionada à burguesia crescente, que se tornou terreno fértil para o desenvolvimento do Romance.

Dentre outros pontos, o elemento que realmente distingue o Romance da Narrativa é forma de produção. No Romance existe o isolamento por parte do escritor, já a Narrativa é um processo coletivo de produção, por envolver o narrador e os seus relatos.

“A origem do Romance é o indivíduo isolado, que não pode mais falar exemplarmente sobre suas preocupações mais importantes e que não recebe conselhos nem sabe dá-los.”p201
Outro aspecto importante do mencionado ensaio, seria a abordagem do conceito de Informação.

“Ela é tão estranha à narrativa como o romance, mas é mais ameaçadora e, de resto, provoca uma crise no próprio romance. Essa nova forma de comunicação é a informação.” p. 202
Benjamim responsabiliza a informação como o ponto derradeiro para a morte da narrativa.  
“Se a arte de narrativa é hoje rara, a difusão da informação é decisivamente responsável por esse declínio.” p 203
Mas apesar de todo ceticismo em relação à eficácia do surgimento da imprensa , Benjamin deixa lições essenciais para o Jornalismo atual.

Ao comparar a narrativa que Benjamim cita, como na redação jornalística presente, percebe- se a falta de “histórias surpreendentes”.  O jornalismo gira em torno dos fatos já acompanhados de explicações. 
“Em outras palavras: quase nada do que acontece está a serviço da narrativa, e quase tudo está a serviço da informação.”p 203
Os anônimos que anteriormente eram contados através da narrativa , perderam força. O jornalismo altamente consumível se faz presente. E como o próprio Benjamim diz: “A informação só tem valor no momento em que é nova.” p 204

O que se pretende não é de forma alguma a exclusão da informação do Jornalismo, mas sim a maior inserção de histórias do povo. Como o próprio conceito de narrativa exposto no texto, a produção e memória coletiva é algo fundamental. A tradição da oralidade observada na narrativa é primordial para transmissão de experiências cotidianas. E é desta forma que teremos um Jornalismo mais humanizado, mais próximo das pessoas.




sexta-feira, 11 de março de 2011

Uma pequena nota a respeito de Folkcomunicação

Olá,


Leitor, esse texto aborda de uma forma resumida a origem e o conceito da metodologia folkcomunicacional.


Aproveite!


Metodologia Folkcomunicacional

Diante de uma sociedade repleta de fenômenos comunicacionais, Luis Beltrão foi o precursor no estudo da comunicação popular. Para compreendermos as pesquisas que foram realizadas neste campo, o da folkcomunicação, iremos adotar um conceito inicial: “comunicação por meio do folclore, a comunicação em nível popular, que se refere ao povo e não se utiliza dos meios formais de comunicação” (CASTELO BRANCO, Samanta, 2010, p 110) Em outras palavras, a folkcomunicação centra o seu estudo nas formas simbólicas geradas a partir da linguagem popular, que por sua vez , resignifica as mensagens veiculadas pela Indústria Cultural.
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Como foi exposto anteriormente, Luis Beltrão criou a metodologia folkcomunicacional. E a primeira menção feita ao tema se realizou através de um artigo publicado no primeiro número da Revista Comunicação e Problemas (ano I, nº 1, mar, 1965). Neste artigo Beltrão volta o seu olhar para linguagem popular e folclórica na qual os grupos periféricos se comunicam e se expressam.

Paralelamente à publicação deste artigo, Beltrão estuda os ex- votos, observando a disseminação de informações através de autos populares, característicos do próprio povo.

Apesar das primeiras pesquisas realizadas, o conceito de folkcomunicação ganha ênfase a partir da tese de doutorado de Luis Beltrão (1967, Universidade de Brasília). Sua tese se fundamentou em dois aspectos essenciais da comunicação popular: manifestações folclóricas e os líderes de opinião. Deste aprofundamento surge uma definição mais apropriada de folkcomunicação: “o processo de intercâmbio de informações e manifestações de opiniões, idéias e atitudes da massa, através de agentes e meios ligados direta ou indiretamente ao folclore” (BELTRÃO, 2001, p 79)

Com o avanço dos estudos e pesquisas, em 1980, Beltrão adota uma postura política ao enfatizar a questão da comunicação entre grupos sem acesso aos meios de massa em sua importante obra “Folkcomunicação: a comunicação dos marginalizados”.

Atualmente percebemos o quanto a definição de folkcomunicação se desenvolveu. Após muitos anos de reflexão, nomes como os de Roberto Benjamim, Joseph Luyten e Antonio Hohlfeldt, reelaboraram o conceito inicial, e fizeram este abarcar uma série de outras relações ligadas ao objeto da comunicação popular. Podemos observar que a maior parte das pesquisas , hoje em dia, realizadas nesta área aborda o “caminho inverso”.  De como a linguagem popular tem sido influenciada pela Indústria Cultural e como esta tem se apropriado de produtos originalmente populares.

Desta forma, a folkcomunicação poderia ser entendida como o “estudo dos procedimentos comunicacionais pelos quais as manifestações da cultura popular ou do folclore se expandem, se socializam, convivem com outras cadeias comunicacionais, sofrendo modificações por influência da comunicação massificada e industrializada, ou se de modificam quando apropriada por tais complexos. ( HOHLFELDT, 2002)

Por fim, consideramos a importância da metodologia folkcomunicacional, que trouxe à tona um olhar voltado a compreensão dos processos comunicacionais ocorridos nos grupos marginais à Indústria Cultural. Estudar estes fenômenos valoriza a cultura popular enquanto arte emanada do próprio povo, sujeito de si mesmo. Perceber a existência das várias redes comunicacionais que permeiam a sociedade acrescentam novos valores às pesquisas no campo da comunicação social e abrem novas perspectivas de análise.

Não poderíamos deixar de mencionar, também, algumas questões fundamentais que são levantadas contemporaneamente a respeito da cultura. A eminência do fim das culturas populares, que passaram a se glamourizar, devido sua inserção na Indústria Cultural, torna-se aspecto relevante às pesquisas atuais na área da folkcomunicação. Daí conclui-se que os estudos preconizados por Luis Beltrão são valiosos para pesquisa em comunicação.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A mídia e o desenvolvimento das Sociedades Modernas [ Resenha ]

 Olá !

Vamos ao post inaugural deste Blog !

Este post é uma resenha de um trecho do livro “A mídia e a modernidade: uma teoria social das mídias.” de John Thompson. Nesta resenha consta um pequeno histórico do surgimento da imprensa, e retrata a consequência de seu aparecimento junto à sociedade da época: a descentralização do poder simbólico,  poder este que se encontrava na figura da Igreja . Além disso conta com um breve comentário a respeito de uma nova descentralização que ocorre dos dias atuais. A internet como forma de descentralizar o poder simbólico pertencente aos meios de comunicação tradicionais.

Aproveite ! 

THOMPSON, John, “A mídia e a modernidade: uma teoria social das mídias.” Petrópolis, RJ, Vozes, 1990 – pags. 47 a 76

A Mídia e o Desenvolvimento das Sociedades Modernas

John Thompson inicia o referido texto trazendo à tona alguns traços fundamentais que explicam e justificam a sociedade moderna. Ao se remeter às transformações institucionais ocorridas na Europa, bem como, em outras partes do globo, o autor sugere a análise cultural da sociedade pelo viés da mídia. Mas antes que este aspecto se efetue, ao longo do texto, diversas mudanças são elencadas, e consideradas pontuais para o desenvolvimento das sociedades modernas como um todo.  Pois para o autor, a atual conjuntura de mundo percebida é resultado de mutações ocorridas ao longo do tempo.

Desta forma, a história da imprensa, junto à história da própria sociedade, se apresenta como pano de fundo para uma observação mais aprofundada a respeito da organização do poder simbólico.

Em primeira instância se tem a crítica à Igreja, enquanto detentora central do poder simbólico na Idade Média.  A ela se conferia o monopólio da produção e da difusão dos símbolos religiosos. Porém com o advento do Protestantismo, o poder exercido pela Igreja, se viu ameaçado.

A fragmentação do poder religioso culminou na expansão do conhecimento científico. O gradual crescimento dos sistemas de educação foi impulsionado pelo desenvolvimento do saber a partir do séc. XVI, configurando-se como a segunda mudança na organização do poder simbólico.

E a terceira alteração, não menos importante, mas geralmente esquecida, é o surgimento da imprensa. A mudança da escrita para impressão gerou uma transformação na forma em que as pessoas se comunicavam, reorganizando o poder simbólico em torno das indústrias da mídia. O sucesso obtido por Gutenberg foi adquirido pela capacidade de mercantilizar essas novas formas simbólicas, gerando, uma descentralização do poder simbólico, antes, monopolizado pela Igreja.

Faz-se importante lembrar, que a impressão , assim como, o Jornalismo, nasceu de uma demanda humana. Em outras palavras, da necessidade do homem interagir com o mundo em que vive.  Mas que em seu surgimento, encontrou terreno fértil, na nascente burguesia e pôde se desenvolver junto ao capitalismo. Sendo assim, a produção de livros, durante a segunda metade do sec. XV tornou-se atividade incontrolável. O advento da indústria gráfica significou o aparecimento de novas redes de poder simbólico, que escapavam ao domínio da Igreja.

Acredito que a grande colaboração do autor foi a percepção de que avanços tecnológicos realmente são fatores cruciais para a alteração na dinâmica da sociedade. A imprensa, no séc. XV foi a grande responsável por uma nova forma de interação na sociedade. Anteriormente uma sociedade que se via presa às representações de mundo determinadas pela Igreja, com a indústria gráfica, teve a possibilidade de se reinventar a partir de novos modelos simbólicos.

Podemos ainda trazer à discussão a mudança em que se vive atualmente com o advento da internet. Assim como na Idade Média, a imprensa e seu aparato tecnológico provocaram alterações na sociedade, hoje , percebemos o quanto à internet modifica nossas relações comunicacionais.

Acredito que a fase vivida pela sociedade contemporânea guarda em si semelhanças com a época vivida pelos primeiros comunicadores. Pois essa nova onda tecnológica tem abalado às estruturas dos meios de comunicações tradicionais, acarretando uma descentralização dos mesmos, que por muitos anos, se viram como grandes instituições do poder simbólico.

A maior interatividade proporcionada pela internet gera formas novas na comunicação. Agora os receptores, vistos anteriormente como massa, ganham voz, instrumentalizando-se através de redes sociais diversas, reivindicando atenção e melhores produtos midiáticos.
 
Existe portanto, uma relação ambivalente, onde os receptores, são também emissores, geradores de conteúdos relevantes. Sendo assim, ao analisar atentamente os conceitos expressados por Thompson, encontramos bases sólidas para justificar os processos de transformação ocorridos no presente momento.
Além da descentralização da Igreja, o autor coloca em cena o surgimento do comércio de notícias que se dá através da periodicidade de impressos. O desenvolvimento dessa atividade desencadeou o aparecimento de novas redes de comunicação. Folhetos informativos com assuntos referentes a decretos oficiais, política, comércio, relações sensacionalistas, eram impressos aos milhares, vendidos por ambulantes.

Com a evolução da imprensa periódica em bases comerciais desvinculadas ao poder estatal foi possível a divulgação de informações contendo críticas ao governo, entre outros assuntos relevantes para a sociedade.  E nesta empreitada , se tem a luta por uma imprensa independente do Estado, surgindo uma nova esfera pública.

Habermas, analisa a emergência de um novo tipo de esfera pública em face das transformações institucionais do poder. Creio que esta questão seja de extrema importância, pois além dos benefícios adquiridos através da imprensa, já abordados no texto, uma grande transformação se operou na esfera pública.  Apesar das críticas, Habermas percebeu o nascimento de um grupo de cidadãos que se reuniam para discutir, perceber, analisar os rumos da sociedade civil, bem como do Estado. Sem dúvida, este é um dos pontos altos do texto, pois a esfera pública permanece como assunto corrente nas discussões atuais.

E por fim, o autor coloca o aspecto da grande mercantilização sofrida pela indústria da mídia. Discute a realidade que a mídia vive, ao se submeter à lógica do capitalismo.

Deste modo, o referido texto, aborda pontos fundamentais para que se possa compreender os rumos vivenciados pela sociedade moderna, sobretudo, em seu aspecto cultural. E ao elevar o papel da mídia, sugere a investigação da sociedade através das instituições produtoras de poder simbólico.