Olá,
Segue um post a respeito de uma teoria da notícia desenvolvida por Jorge Pedro Sousa.
Quem é Jorge Pedro Sousa?
Nascido em 1967, é professor e pesquisador de jornalismo na Universidade Fernando Pessoa (Porto, Portugal). As suas linhas de pesquisa englobam a teoria e história do jornalismo e a análise do discurso jornalístico impresso. Tem vários livros publicados, sendo o mais conhecido Uma História Crítica do Fotojornalismo Ocidental. O seu livro mais recente (2007) intitula-se A Génese do Jornalismo Lusófono e as Relações de Manuel Severim de Faria. A sua ideia mais notória é a de que toda a notícia, ou seja, todo o enunciado jornalístico é um dispositivo que resulta da interacção de várias forças, ou factores, cada um deles com peso variável no resultado final: 1) Acção pessoal de jornalistas, fontes de informação e outros agentes; 2) Rotinas produtivas; 3) Constrangimentos sociais organizacionais, como a hierarquia e o funcionamento da organização jornalística, a linha editorial, os recursos organizacionais e outros; 4) Constrangimentos sociais extra-organizacionais, como omercado; 5) Ideologia(s) e cultura; 6) História; e 7) Outras forças, como os limites e possibilidades dos dispositivos tecnológicos usados na elaboração da notícia. Abstractamente, essa ideia pode traduzir-se numa equação em que a notícia surge como o resultado (produto) da multiplicação (interacção) de vários factores, cada um deles antecedido por uma variável que traduz, precisamente, o peso variável de cada um desses factores no resultado "notícia".Fonte: Wikipédia
Resumo do Artigo: Por que noticias são como são? Construindo uma teoria da notícia de Jorge Pedro Sousa
O presente artigo tem como objetivo revelar o surgimento de uma nova teoria da notícia, fundamentando-se em outras teorias existentes, mas trazendo à tona aspectos esquecidos por tais teorias .
Sousa parte do princípio de que a notícia refere-se a toda produção jornalística, e que já existe matéria prima o suficiente para se edificar uma teoria consistente da notícia. Desta forma, o referido texto se propõe a responder três perguntas: “Por que é que as notícias são como são (e não são de outra maneira)?” “Por que temos as notícias que temos (e não temos outras notícias)?” “Como circula a notícia e que efeitos gera?”.
Partindo das discussões a respeito da cientificidade da área das Ciências Sociais, Sousa compreende que para as ciências da comunicação se tornar de fato ciência, devem abandonar a reflexão filosófica enquanto metodologia, e adotar uma postura eminentemente científica.
Para ele uma teoria científica do jornalismo deve procurar integrar diversos aspectos do fenômeno jornalístico, enfatizando o resultado do processo de produção da notícia. Contudo, uma teoria do jornalismo , como qualquer outra teoria científica , estaria aberta a intervenções assim que algum fenômeno não previsto por ela a contradissesse.
Reforçando o seu ponto de vista, o autor retoma a ideia de que uma teoria do jornalismo deve ser vista essencialmente como uma teoria da notícia, já que a notícia é o resultado pretendido do processo jornalístico de produção de informação. Sendo assim, ele expõe a sua definição de notícia para que a compreensão do que havia sido dito anteriormente seja a mais clara possível.
Notícia: “artefato lingüístico, que representa determinados aspectos da realidade, resulta de um processo de construção onde interagem fatores de natureza pessoal, social, ideológica, histórica e do meio físico e tecnológico, é difundida por meios jornalísticos e comporta informações com sentido compreensível num determinado momento histórico e num determinado meio sócio-cultural, embora a atribuição última de sentido dependa do consumidor da notícia.” (Sousa , 2000;2002)
Diante do conceito de notícia desenvolvido por Sousa torna-se evidente a sua preocupação com os diversos fatores envolvidos na produção noticiosa, sem contar a relevância dada por ele, a todos estes fatores.
Outra observação interessante seria o fato de Sousa fundamentar-se no pressuposto de que a notícia é a representação da realidade, a partir da captação da realidade objetiva expressa através da linguagem.
Deste modo, a sua teoria da notícia apropria-se destes valores, e avança em uma nova perspectiva para se construir uma teoria que abarque a multiplicidade de aspectos envolvidos na produção, circulação e consumo da notícia.
Sousa se utiliza das teorias divisionistas e unionistas da notícia, se aproveitando dos pontos de interseção entre elas para elaborar uma explicação completa a respeito da notícia. Considerando as várias correntes da tendência divisionista, a saber: teoria do espelho, teoria da ação pessoal, teoria organizacional, teoria da ação política, teoria estruturalista, teoria construcionista, teoria interacionista, Sousa considera possível tecer uma teia explicativa global para as notícias, e pontua : é uma questão de sistematizar esses dados.
Paralela a esta consideração, Sousa aborda os pontos fundamentais desenvolvidos por autores pertencentes à tendência unionista para a explicação da notícia. Entre eles estão Schudson e Shoemaker e Reese.
Para arrematar a sua consideração, tendo em vista a interação entre às tendências divisionistas e tendências unionistas, Sousa se expressa através da Traquina ( 2001; 2002) : “é possível perceber que numa coisa os estudiosos do jornalismo estão de acordo: os resultados das pesquisas colocam em evidência que factores de natureza pessoal, social (organizacional e extraorganizacional), ideológica e cultural informam e constrangem as notícias. Uma teoria unificada do jornalismo tem de partir desses pratimónio comum de conhecimento.”
Partindo de aportes teóricos desenvolvidos por outros autores, principalmente Shoemaker e Reese (1991; 1996) e Scudson ( 1998), Sousa propõe uma teoria unificada da notícia que ultrapasse as deficiências identificadas em tais modelos.
Sendo assim, para Sousa, a notícia é o resultado da interação simultaneamente histórica e presente de forças de matriz pessoal, social (organizacional e extra – organizacional), ideológica, cultural, e do meio físico e dos dispositivos tecnológicos, tendo efeitos cognitivos e comportamentais sobre as pessoas, o que por sua vez produz efeitos de mudança ou permanência e de formação de referências sobre as sociedades , as culturas e as civilizações
Nenhum comentário:
Postar um comentário